
Se os Americanos são licenciados em hipocrisia, o Partido Republicano tem um mestrado em escândalos hipócritas. Nomeadamente do que diz respeito aos escândalos gay. O último acontecimento foi já em Fevereiro (Robert Somma), mas este constante absurdo merece certamente um reparo, pelo que aqui ficam breves resumos de cinco casos que parece que animam os armários norte-americanos.
28 de Setembro de 2006: Mark Foley (U.S. Representative) mandou, durante 10 anos, emails a jovens (muito jovens) republicanitos. Os emails eram de um teor sexual altamente explícito e o Sr. Foley era Chefe de uma Associação de Protecção de Menores e um dos principais lutadores contra a pornografia infantil. A frase: “get a ruler and measure it for me”.
Novembro de 2006: Ted Haggard (Líder da Associação Nacional de Evangélicos) pagou a prostitutos a troco de sexo antes/durante/ou depois de consumir crystal meth. Para além de uma força do movimento evangélico, este senhor dava conselhos espirituais semanais ao próprio George W. Bush. Disse várias vezes que a homossexualidade era uma abominação e sempre lutou contra os direitos dos homossexuais no seu país. A mentirinha: “Não tive uma relação homossexual com um homem em Denver”.
11 de Junho de 2007: Larry Craig (Senador Republicano). Esta é conhecida… solicitou serviços sexuais a um polícia disfarçado num aeroporto americano. Entre outras coisas, impediu que as uniões civis gay fossem legitimadas, assim como votou contra a introdução da categoria "orientação sexual" nos crime federal da lei dos crimes de ódio (isto é, provou que não gostava mesmo nada de gays). Ora, a piada: “Eu não sou gay, não faço esse tipo de coisas”.
11 de Julho de 2007: Bob Allen, o Chefe da Campanha Presidencial do Republicano John McCain na Florida, ofereceu vinte dólares a um polícia disfarçado para que este desapertasse as calças e o deixasse usufruir. O melhor é que quando a criatura foi presa, alegou que apenas “não queria ser mais uma estatística” (dado que, nas suas palavras, o polícia era um “negro enorme”), recorrendo, assim, à sedução. E este senhor foi o responsável pelo impedimento da adopção de crianças por parte de casais homossexuais no estado da Florida, assim como tentou criar uma lei que penalizasse “actos lascivos e não-naturais”. O que teve a dizer sobre a sua detenção: “certamente não estava ali para fazer sexo e certamente não estava ali para oferecer dinheiro em troca disso”.
28 de Julho de 2007: Glenn Murphy Jr., um tal Chefe Nacional dos Jovens Republicanos e Chefe do Partido Republicano do Condado de Clark, parece que apanhou um dos seus jovens republicanos embriagado e passou a noite em sua casa. A meio da noite, o jovem acordou e deparou-se com uma manobra sexual curiosa. Depois deste acontecimento vir a público, soube-se que o senhor Murphy já tinha um outro caso destes que remontava a 1998. Consta que Murphy incitava os seus jovens pupilos a usar nos debates públicos uma forte opinião contra a união civil homossexual. A desculpa: “fiz parte do musical da Música no Coração que fizemos no liceu”.
Com isto, ficamos com uma ideia engraçada da hipocrisia daquela gente, assim como da homofobia expressa que pavoneiam nas suas intenções políticas. Os mesmos senhores que se acham tão defensores da liberdade e da igualdade, para além de negarem direitos fundamentais a qualquer ser humano (como a união civil, por exemplo), são manifestamente hipócritas nas suas afirmações. Se há elefantes no meio da sala que ninguém quer ver, não os pintem de cor-de-rosa.

1 projecções:
Quantas pessoas com determinado cadastro são necessárias para que o partido possa ser acusado do mesmo crime ?
Qual o ponto crítico em que o todo assume as características das partes ?
Post a Comment