A Igreja Católica está verde. E não, não me refiro às novas capas de edredon de seda italiana de Ratzinger (aka Bento XVI). Parece que um tal Arcebispo Gianfranco Girotti saiu da penumbra de um qualquer gabinete enveludado e veio ao mundo dizer que existem males modernos a ser acrescentados aos sete pecados mortais tradicionais (ora, para quem não se recorda: Luxúria, Gula, Avareza, Preguiça, Ira, Inveja e Orgulho). Os menos atentos que se informem, porque qualquer infracção é punida com a danação eterna num dos fogos temáticos do Inferno!Atentemos, então, nestes novos males. Segundo o Senhor Girotti (que mais valia ir girar para outro lado), o Vaticano considera o poluição ambiental, a manipulação genética, a acumulação de uma riqueza excessiva, a promoção da pobreza, o tráfico e consumo de droga, as experiências moralmente duvidosas, e a violação de direitos fundamentais da natureza humana, como novas formas do rosto do Mal que assolam o mundo moderno. Com o seu jeito natural para categorizar, esta instituição volta, mais uma vez, a dizer coisas que ninguém sabe… do mesmo modo que, de uma forma quase comportamentalista, exibe uma punição da qual devemos ter um medo pavoroso.
Certamente, a nova forma de mal que mais me seduz são as experiências moralmente duvidosas, o que na linguagem católica significa: tudo aquilo contra o qual lutamos afincadamente há séculos. O ponto positivo tem de ser dado, na verdade, uma vez que a Igreja ainda é uma grande influência em muitas culturas do mundo (o que em muitos casos tem consequências devastadoras, como a proliferação do HIV porque “ah e tal, somos contra o preservativo”). Assim, resta-nos esperar que alguém oiça aquela história de não poluir o ambiente e ponha isso em prática, como medo dos fogos dantescos.
Por outro lado, denota-se um certo cinismo na categoria “violação de direitos fundamentais da natureza humana”, já que, em muitos países, a mentalidade católica faz força para que se continue a negar certos direitos fundamentais do ser humano (para exemplo contactar a gerência). E o mesmo cinismo pode notar-se naquela parte onde diz “acumulação de riqueza excessiva”… acho mesmo que deviam acrescentar uma alínea, punida pelo fogo de uma petrolífera, onde constava a modalidade “riqueza obscena” (para se poder incluir os cofres do Vaticano).
Por isso, estas comunicações parecem-me um pouco ridículas e suponho que haja coisas mais interessantes para fazer naquelas imensas salas do que catalogar listinhas de males e as respectivas punições. Esperemos, portanto, que o Sr. Ratzinger decida reciclar algumas ideias pré-históricas que a sua Igreja insiste em disseminar por esse mundo fora.
E quanto ao caro leitor, plástico no amarelo, papel e cartão no azul, e vidro no verde. É isto ou o Inferno.

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