Em recentes comunicações urbi et orbi, o Vaticano declarou que qualquer pessoa que sofra de uma Psicopatologia está claramente condenada ao Inferno. O departamento que trata da arrumação do dito espaço (cujo fundador foi, como sabem, Dante) reuniu-se esta manhã e concluiu que é impossível colocar todos os doentes mentais entre os sodomitas e os falsificadores de moedas.Em resposta a estas declarações, Joseph Ratzinger já colocou um conjunto de cardeais que não tinham nada para fazer numa tentativa de projectar e colorir o novo mapa do Inferno (evento patrocinado pela Caran d’Ache). Para já, pensou-se numa estrutura à parte, designada de Psico-Inferno, que funcionaria paralelamente ao Inferno tradicional, apresentando, à sua semelhança, vários níveis e círculos e torturas várias.
Ora, este blog teve acesso a informações exclusivas do design deste Psico-Inferno! E apresentamo-vos, em primeiríssima mão, um lamiré daquilo que será, um dia mais tarde, a sua estrutura definitiva.
Nível 1: Limbo – este nível foi pensado exclusivamente para a classe profissional da saúde mental, já que a sua incursão nos níveis mais baixos pode ser necessária (os demónios podem não ter muita paciência para os Borderline). No entanto, o Vaticano faz a ressalva de que qualquer psi que tenha cometido um pecado mais grave, terá de sofrer as penas no Inferno tradicional, pelo que a sua caderneta profissional será queimada pela flatulência de Lúcifer. Este espaço será semelhante a uma sala de espera de um dentista.
Nível 2: Perturbação da Ansiedade Generalizada (e perturbações afins) – este nível consiste num enorme labirinto escuro sem saída, onde os ansiosos terão de deambular para o resto da eternidade, pelo que continuam a sofrer da sua psicopatologia de uma forma indigna e miserável.
Nível 3: Perturbação Obsessivo-Compulsiva (e perturbações afins) – neste nível, onde tudo está desarrumado e fora do lugar, os doentes condenados estarão constantemente a arrumar e a ordenar tudo. No entanto, as coisas desarrumam-se automaticamente assim que os condenados as conseguem colocar no seu lugar. Para os casos mais graves, há enormes rochedos que têm de alinhar.
Nível 4: Depressões (e humores depressivos) – à entrada verificam se o condenado não se suicidou (pois caso o tenha feito terá de ir para o Inferno tradicional para nível dos que pecaram contra a sua vida). Neste nível, não há muita luz, a decoração é semelhante a um cemitério e os condenados são obrigados a encher tonéis infinitos com as suas lágrimas.
Nível 5: Maníacos-Depressivos & Perturbações de Personalidade (como a Borderline e afins) – neste nível a paisagem está constantemente a mudar. Oscila entre turbilhões de confusão mental, com efeitos desorganizadores, e apagões gerais. Os condenados são obrigados a subir uma escadaria imensa e infinita, embora todos acabem por desistir quando se muda de ambiente.
Nível 7: Personalidades Histriónicas e Histeria – eis um nível em que nada é o que parece. É habitado pelos condenados, que são sugestionados por uma infinidade de situações. A paisagem é feita daquilo que os condenados acham que ela é feita, mas pode rapidamente mudar para algo pessoalmente perturbador. Freud está acorrentado, nu, projectado no céu de enxofre, para que as condenadas histéricas desmaiem com mais frequência.
Nível 8: Psicoses (como a Esquizofrenia e perturbações afins) – o último nível do Psico-Inferno é um lago de sangue infinito, no qual os condenados se afogam. Os demónios falam muito alto e transformam-se em alegadas alucinações para torturar os danados. Este teve o dedo do sr Papa e olhem que é um nível muito medonho.
Depois deste mapa provisório, o novo Psico-Inferno vai ser objecto de revisão por parte de uma grande variedade de figuras importantes dentro da Igreja Católica. Essas figuras sugerirão um novo Psico-Lúcifer, se bem que o lóbi cognitivista/comportamentalista está completamente seguro de que Skinner ou Thorndike são a melhor opção... ou não foram eles mestres da tortura psicológica.

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