
Um estudo recentemente submetido à Suprema Ordem de Musicologia Psicológica apurou algumas das influências musicais presentes na expressão musical do mundo. Como tal, resolvemos partilhar alguns estilos de música. Alguns tipos/estilos/géneros são mais conhecidos, outros nem por isso, pelo que aqui está uma boa razão para ler este post (caso ainda não se tivesse interessado loucamente). Este post é também uma maneira de abraçar grupos minoritários, contemplando-os na serenidade psicológica que certamente adivinha. Cá vão, então, os estilos e a respectiva descrição:
Abstract Hip-Hop – subgénero do Hip-Hop alternativo, embora diferente do Hip-Hop normal. Em contraste com o Hip-Hop normal, ninguém geme trivialidades sobre os bairros sociais, gangues e palavrões q.b.. No Hip-Hop Abstracto as letras não dizem absolutamente nada. Dúvidas subsistem em relação a alguns ruídos escutados.
Acid Croft – mistura de batidas profundas com gaitas-de-foles escocesas. Conta-se que o Príncipe Charles inventou o estilo no seu leito nupcial em Edimburgo.
Art-Rock – música vulgarmente designada por Rock, mas cujos autores não consomem drogas nem bebem álcool, escrevendo por isso poesia lamechas. Ligado ao Rock Progressivo por uma questão de conveniência (juntam-se os poetas lamechas com os pseudo-intelectuais).
Blues – estilo de música lenta e triste, em que uma pessoa se sente a olhar para um copo vazio no meio de um bar enquanto alguém explica porque é que a vida é efémera, porque é que os maridos são infiéis e porque é que os nossos cães morrem.
Bossa Nova – música brasileira criada por aspirantes a músicos de Jazz. Recria o movimento das bossas dos camelos. Embora não existam quer legendas quer traduções, as letras resumem-se a “o Amor é lindo, a solidão é lixada!”
Cha-cha-cha – aquele estilo de música que a sua tia sabe sempre dançar.
Christian Hardcore – uma forma de Punk Hardcore e Metalcore, subgénero de Punk Rock, aparentado ao Rock Integral, tocado por bandas que promovem o seu sentimento religioso de uma forma explícita. O grau de explicitação das letras varia de banda para banda.
Clássica – seja como for, vai sempre adormecer enquanto alguém descasca um rebuçado. É tocada por pessoas com laços e vestidos de noite, em vários tipos de instrumentos de múltiplos tamanhos e formas. O último relatório da PJ sobre a Orquestra Gulbenkian acusou chá de tília no sangue de 99% dos músicos.
Country – originalmente tocada em palheiros e estábulos, os músicos Country usam guitarras para expor fenómenos como a pick-up que não pega desde 1933, o cão que morreu, as searas e o trigo que canta com o sol, o senhor que enrola o cigarro encostado na cerca.
Cueca – dança oficial do Chile desde o dia 18 de Setembro de 1979 (existem variações, no entanto: a Cueca Chilota e a Zamacueca).
Disco – fica sempre bem numa festa e quem sabe mesmo é a Madonna. A maior parte da população mundial já tinha largado os anos 70 até ao seu último álbum.
Electronica – não precisa de saber o que é uma semibreve para escrever este estilo de música. O melhor mesmo é fechar os olhos e pensar que é uma trip de LSD. Se dubnobasswithmyheadman é uma palavra familiar, está no bom caminho para o centro de desintoxicação.
Emo – subgénero do Punk Hardcore, onde miúdos demasiado sensíveis cortam os pulsos enquanto gritam que a vida é uma merda. Geralmente vestem-se com camisolas três tamanhos abaixo, usam óculos de massa pretos e allstar da mesma cor. Ler o The Catcher in The Rye, chorar pelo menos quatro vezes por dia e detestar a própria vida são os requisitos básicos para ser Emo (a maquilhagem preta é facultativa).
Fado – música tradicional portuguesa, em que uma senhora, geralmente enrolada num xaile preto mais ou menos mórbido, geme um lamento deprimente, acompanhada por dois senhores na guitarra e num instrumento esquisito (estudos americanos dizem-nos que tem vinte e sete cordas e que teve origem naquela província de Espanha ao lado do Algarve)
Flamenco – estilo de música espanhol, onde bailarinas vindas directamente da secção “Nós queríamos ser joaninhas” dançam com castanholas, enquanto dois senhores de cabelo oleoso gritam como se sofressem de hemorróidas.
Folk – tudo o que seja da sua terra é Folk (excepção feita, claro, a Santo António dos Cavaleiros e a Loures).
Funk – a palavra queria dizer originalmente “beat one” (dispensa-se a tradução para português). No dicionário é a palavra que melhor descreve o cheiro de uma relação sexual. Os peritos ainda decidem a origem etimológica da palavra, enquanto uma mão cheia de pessoas tenta perceber se é música ou mero entretenimento.
Glam Rock (ou Glitter Rock) – basta maquilhar-se, assumir publicamente que se veste de mulher ou ser o Elton John e categorizá-lo-ão nesta linda categoria.
Gothic – se acha que o mundo está em decadência e não é do CDS-PP, se bebe sangue ou tenciona vender um rim, se se veste inteiramente de preto e não está de luto, este é o seu estilo de música. Acrescente ruídos, gritos, muitas, mas mesmo muitas guitarras eléctricas e um nome mórbido ou medieval. Voilà.
Grunge (ou Seattle Sound) – popularizado pelos Nirvana nos anos 90, é tocado e cantado por músicos com sérios problemas de heroína e álcool, sendo os únicos verdadeiros detentores do conhecimento filosófico das palavras. Pudim, por exemplo, pode servir para uma letra muito intensa e rica em metáforas. Para além disso, são os únicos que conhecem palavras que rimam com lixívia.
Hard Rock – variação do Rock and Roll, originado no Rock de Garagem e no Rock Psicadélico. É caracterizado pelo uso exaustivo de guitarras eléctricas, baixo e bateria. Difere no sentido em que passa menos vezes na rádio do que o Pop Rock e porque existe uma gigantesca cadeia de restaurantes pelo mundo fora com o mesmo nome. (Para se informar acerca do franchising consulte o site).
Heavy Metal – se passar a música ao contrário, escutará blasfémias, odes satânicas e propaganda comunista.
Indie – no fundo não é Rock nem é Pop, porque o importante é ser independente. As bandas têm geralmente nomes que ninguém percebe, porque o importante é ser independente. Já disse que o importante é ser independente? Se tem um bandolim, esta é a sua oportunidade para ser feliz.
Jazz – a ideia até nem foi má: os músicos juntaram um piano, um contrabaixo e um saxofone e tocaram todos ao mesmo tempo. Continue a tentar até que soe qualquer coisa perceptível e de preferência que não seja um narcótico.
Kizomba – música africana onde um casal dança demasiado enroscado um no outro. As letras têm demasiados nh e são imperceptíveis. Bastante popular entre os admiradores.
Lo-fi – a desculpa dos Portishead para o barulho de fundo do seu último álbum. O orçamento não perdoa, nós sabemos… não era cá preciso criar um estilo novo.
Minimalist Trance (ou Psytrance Progressivo) – gosto particularmente deste estilo. O último CD de uma conhecida banda deste género, tinha 24 faixas em que cada uma era uma nota diferente durante 33 segundos. Fabuloso.
Muzak (ou Música de Elevador) – é um estilo, é verdade. O artigo no psycho-google estava desactualizado, pelo que não pude pesquisar mais sobre este estilo tão difundido pelo Ritz.
(continua)

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