Para alguns, o dia 8 de Março é o dia da Mulher. Para outros, é um dia como outro qualquer. E há, ainda, uns quantos que se deixam inquietar pelas dúvidas que se lhes deparam quando vislumbram uma data de mulheres com as mais variadas flores na mão. A realidade é que não um dia com grande impacto, até porque se pensa que a luta pela igualdade de género é uma coisa do passado. E até porque se pensa que se vive numa sociedade em que os direitos são iguais para todos quando, na realidade, não são.Falando exclusivamente das mulheres, o que é facto é que, ainda assim, a Europa consegue mostrar um certo arrependimento pelos caixotes do lixo explodidos em Londres pelas sufragistas. E agora não falamos só das flores queridinhas. Há algumas coisas que se vão vendo e que, mesmo que modestas, são um contraste imenso com certas e determinadas coisas que ocorrem nos Estados Unidos da América. Ah, sim... ocorrem. Não é ocorreram.
Os EUA exibem bem alto na lapela o distintivo de Polícia do Mundo, lutador pela igualdade, em defesa dos fracos e oprimidos! No entanto, esqueceram-se de uns quantos restos estragados dentro do frigorífico, restos estes que bem podem acrescentar aos falsos moralismos e à hipocrisia da política norte-americana. Um claro exemplo é a idade legal para se consumir álcool... no território americano, só aos 21 anos de idade é que é possível obter uma semi-consciência etílica. Aos 21? Parece exagerado, não? É claro que para o puritanismo americano, é óbvio que temos de proteger os nossos jovens dos prazeres imorais das drogas recreativas legais. E o Mundo pergunta se seguiram a mesma política de protecção quando mandaram soldados de 18 anos para o Iraque.
Sem mais demoras, e concentrando-nos na mulher, debrucemo-nos sobre algumas leis norte-americanas que, ainda hoje, atribuem um papel de destaque ao sexo feminino (apesar de me parecer e de esperar muito sinceramente que nenhuma delas seja cumprida).
Em Michigan, uma mulher não pode cortar o seu cabelo sem pedir permissão ao marido.
Em Oxford, Ohio, uma mulher está proibida pela lei de despir as suas roupas em frente a uma fotografia/imagem de um homem.
Em Carrizozo, uma mulher não pode aparecer com a depilação por fazer em público (quer na cara, quer nas pernas).
Em Los Angeles, um homem está legalmente habilitado a bater na sua mulher com um cinto de cabedal, mas que não pode ter uma largura superior a quatro centímetros (aí terá que ter a autorização da sua mulher para lhe poder bater com o cinto que excede a dimensão legal).
No Kentucky, nenhuma mulher pode aparecer em fato de banho ou numa auto-estrada naquele estado sem ser escoltada por pelo menos dois polícias, ou caso esteja armada com um bastão. Uma alteração a esta legislação acrescentou que a mesma não se aplica a mulheres que pesem menos de 40 quilos ou mais de 90, do mesmo modo que não se aplica a éguas.
Para quem acha que a igualdade de género é uma verdade adquirida, existirão sempre os EUA para nos mostrar o contrário. Enquanto bombardeiam países onde, segundo eles, os cidadãos não são livres.
"It seems in vogue to be a closet mysoginist homophobe." (Tori Amos) Pois...

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