
Já fomos brindados com excelentes pérolas deste senhor, que é, aparentemente, o representante de Deus na Terra. Eu acho que se fosse Deus (perdoem-me a blasfémia) ia gostar de estar melhor representado. No entanto, há quem leve a sério Joseph Ratzinger e as suas ideias e pensamentos divinos.
Um dos últimos acontecimentos do Vaticano foi a redacção de um documento intitulado Sacramentum Caritatis. Neste documento, que serve para reger a celebração de missas, Bento XVI escreveu coisas tão fantásticas quanto dignas do século em que vivemos. Já para não falar nalguns atentados à individualidade e à igualdade de oportunidades.
Mas vejamos com pormenor algumas das palavras de Sua Santidade… ora, foi realçada a necessidade de celibato para os padres católicos como sendo uma “bênção enorme para a Igreja e para a própria sociedade”. A mim parece-me que obrigar um homem a restringir os seus impulsos sexuais, assim como as suas necessidades afectivas, uma coisa assim a roçar o medieval (que não, não é sinónimo de bênção). Porém, a Igreja Católica lá entende que não há cá casamento para os padres, que eles não pensam nunca nessas coisas. Do mesmo modo que continuam agarrados à perspectiva algo sexista de que só os homens é que são eficazes a transmitir ideias divinas.
Outra brilhante saída de Bento XVI surge aliada à reafirmação de que os divorciados católicos não podem receber a comunhão. Aqui, não podemos dizer grande coisa… afinal não é da liturgia propriamente dita que falamos, mas sim das palavras sábias deste senhor: “o segundo casamento é uma verdadeira praga”. Praga? A mim parece-me óptima ideia que, se um primeiro casamento não resultou, as pessoas voltem a apaixonar-se e a comprometer-se. Onde é que está a praga nisto? Praga são instituições religiosas (sem referir nomes, claro…) que têm fortunas avaliadas entre 10 e 15 mil milhões de dólares, sem pagar qualquer tipo de imposto.
Uma outra coisa gira presente neste documento, foi a defesa do uso do latim em grandes celebrações. Ora, grandes celebrações atraem um grande número de pessoas. Quer me parecer que o latim é uma língua morta, que quase ninguém domina, pelo que me pergunto se existe alguma utilidade nesta “sugestão” ou se é apenas mais um passo atrás na Igreja Católica. Já para não falar da necessidade de valorizar adequadamente o canto gregoriano nas celebrações eucarísticas… isto porque “é necessário evitar a improvisação ou a introdução em géneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia”. Isto nem me surpreendeu muito, tendo em conta que este senhor já havia afirmado que o rock’n’roll era um veículo do Mal… de qualquer modo, parece-me óptimo que, no topo do seu trono dourado, Bento XVI decida que tipo de música se pode usar numa missa, já que ninguém tem discernimento intelectual suficiente para decidir isso, muito menos direito para expressar a sua espiritualidade como bem lhe apetece.
Como últimas recomendações, assim em jeito de conclusão, Joseph Ratzinger lembrou ainda os políticos que não votassem a favor de leis que vão contra a natureza humana e a família construída sobre o matrimónio entre homem a mulher (será que ele não sabe que isso é uma concepção meramente social? Não deve saber…). Recordou ainda os novos Demónios: a eutanásia, o aborto e o casamento entre homossexuais. Acho que alentar políticos indefesos a favor da negação direitos universais (como de casamento civil, por exemplo) é uma autêntica malandrice. Por isso, o meu apelo é que não façam muito caso destas palavras, o senhor não sabe bem o que está a dizer. Só pode.
Ou então acordou no século errado. E mesmo assim…

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